segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Quinta-feira, 15/01/09



*Áudio: http://www.goear.com/listen.php?v=70effda


"Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti... "


Quer Mais?
Toma:http://www.secrel.com.br/JPOESIA/quinta.html
http://www.releituras.com/mquintana_bio.asp

CRÉDITO(trilha): Uakti

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Quinta-feira 08/01/09



*Áudio: http://www.goear.com/listen.php?v=72c7f26

“Os párias saem às ruas
e abocanham o gargalo da Morte.
Eu à turba me recolho
bêbado de poucas mazelas
envergonhado por não ter também
feridas nos pés.
Noite de interurbanos rasgando os céus
como néons
de bofetadas e vômitos
de desesperos gravitando sonhos.
Cadelas rastejam seus peitos
e se conformam
com o cio. Ladram. Doam-se.
Eu também.
Abro minha mesa
para os que trazem cansaço e solidão.
Na penumbra bebemos
à alegria de mais um Natal.”



Pois é, Poesia de Raimundo de Moraes, Intitulada “Presépio”. Raimundo de Moraes escreve desde a adolescência, nos anos 80, quando então foi “batizado” por um dos maiores poetas da nossa história: Alberto da Cunha Melo. Raimundo surge, enquanto poeta, dentro do Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco, movimento este que transformou a história da poesia em nosso estado e que repercute até hoje, influenciando a geração poética contemporânea. Além de dedicar-se aos versos Raimundo de Moraes é também publicitário e jornalista e une seus saberes acadêmicos à vocação para escrever a coluna “Arruar 21”, no site Interpoética; Uma coluna que ele define com sendo de “utilidades e futilidades”. Apesar de Ter se afastado da literatura durante 10 anos o poeta Raimundo de Moraes teve um regresso triunfal: nos anos de 2007 e 2008 foi o autor pernambucano mais premiado, e chegou a conquistar primeiros lugares e menções honrosas nas cinco regiões do País.

Quer Mais?
Toma: http://www.interpoetica.com/os_olhos_da_gazela.htm

CRÈDITOS: Nuevo Mexico (Hecho en Casa)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

quinta-feira 04/12/08



*Áudio: http://www.goear.com/listen.php?v=009d022

“Amanheceu e a lua ainda no céu.
Gotas de orvalho
Nas pétalas róseas
Refletem os primeiros raios de sol.

No lago perene
Brinca um beija flor
Abanando as asinhas
Fazendo ondinhas
Na lamina de água

O beija flor,
Como um Narciso,
Vê sua imagem refletida
E brinca.
Vendo suas cores cintilantes
Vendo seus olhos e seu bico
Vendo os dentes das piranhas
Que saltam, agarram os pezinhos
Puxam o beija flor para o fundo
Escuro do lago.

Atacam os olhos,
Arrancam os olhos,
Rasgam o papo do pobre animal,
Que sacode o que resta das asinhas
Que sangra
Esperneia
E morre
Todo mordido
Todo Fodido
Nas águas do Capibaribe
Do Recife que fede
Cheio de merda.”


Pois é, Poesia de Fernando Farias, o áspero “Poeminha Lírico”. Este poema foi lido pelo também escritor Bruno Piffardinni, durante a Edição 2008 da FLIPORTO, em uma homenagem aos poetas pernambucanos, e, ao mesmo tempo, uma pesada crítica social e crítica ao lirismo alienado. Fernando Farias é contista, tem 50 anos e é caruaruense radicado em Recife. O escritor é membro da União Brasileira dos Escritores, a UBE – Pernambuco, faz parte do grupo Nós Pós e do recém criado “Urros Masculinos”, também formado por Biagio Pecorlli, Bruno Pifardinni e Arthur Rogério. Fernando Farias revela que sua grande vontade era escrever roteiros para histórias em quadrinhos. Acabou por transformar essas histórias em contos, o que resultou no pequeno livro “A Trágica Morte da Patinha”. Sua carreira se intensificou depois que Fernando Frequentou as oficinas literárias de Raimundo Carrero e Marcelino Freire. Além de publicar de várias coletâneas, Fernando Farias publicou em formato de bolso quatro livros: O Livro Vermelho, Espelhos Obscenos; O Livro Azul, Entre Sete Estrelas; O Livro Verde, Fantasia Manchada de Batom Carmim e o Livro Laranja, A Escolha dos Anjos.

Quer Mais?
Toma: http://fernandofarias7.blogspot.com/

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Quinta-feria, 20/11/08



*Áudio: http://www.goear.com/listen.php?v=12fdd2f


“temos que nos amar
temos que nos querer
foi o amor que fez um dia
a gente nascer

temos que nos unir
pra formar uma grande nação
onde não haja mais guerra
nem destruição

temos que abrir os olhos
dessa sociedade
dizer não a violência
denunciar a corrupção
e dizer a esse mundo
quero paz, violência não!

temos que cuidar do planeta
acabar com a poluição
tirar as crianças da rua
dando educação...”


Pois é, Poesia de Gizele Tavares , “O Amor que Nos Faz Nascer”. Gizele Tavares de Melo Souza é recifense, tem apenas dezesseis anos e faz versos com maestria. Gizele escreve desde os oito anos de idade e diz ser apaixonada por poesia. Na poesia a talentosa menina encontra um modo de ajudar a si mesma, à família e a sociedade em que vive, através de versos realistas, que propõem aos leitores uma reflexão sobre a vida. Gizele Tavres já tem mais de 70 poemas, 5 deles publicados nos principais jornais da cidade, e tem até uma possível novela escrita. Ela conta que o dom de poetizar foi dado por deus, mas a influência vem de seu pai, que é poeta e compositor. A inspiração chega sempre na madrugada, como seu uma voz lhe soprasse os versinhos ouvido a dentro, e como se ela apenas “psicografasse” as palavras ditadas pelo “espírito da poesia”. Apesar de jovem, Gisele Tavares estuda e trabalha para sustentar sua família, já que seu pai, não pode trabalhar por motivos de doença. É uma mocinha esforçada, humilde e que sonha com o reconhecimento do seu trabalho e quer vencer na vida e conquistar o seu batismo literário. No dia 30 de novembro, Gizele Tavares recita “O Amor que Nos Faz Nascer”, durante a Caminhada Pela Paz, que acontece na Avenida Boa Viagem a partir das quatro horas da tarde.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

quinta-feira, 13/11/08




*Áudio: http://www.goear.com/listen.php?v=91d1f0a



“A antítese do novo e do Obsoleto,
O Amor e a Paz, o Ódio e a Carnificina,
O que o homem ama e o que o homem abomina,
Tudo convém para o homem ser completo!

O ângulo obtuso, pois, e o ângulo reto,
Uma feição humana e outra divina
São como a eximenina e a endimenina
Que servem ambas para o mesmo feto!

Eu sei tudo isto mais do que o Eclesiastes!
Por justaposição destes contrastes,
Junta-se um hemisfério a outro hemisfério,

Às alegrias juntam-se as tristezas,
E o carpinteiro que fabrica as mesas
Faz também os caixões do cemitério!...”



Pois é, Poesia
de Augusto dos Anjos, intitulada “Contrastes”. Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no Engenho Pau D’arco, na Paraíba, em Abril de 1884. Passou sua infância no Estado natal, e durante o resto de sua vida morou em Recife, onde cursou e se formou em direito, Rio de Janeiro e Leopoldina, em Minas Gerais, onde morreu, em 12 de novembro de 1914, vítima de pneumonia. O seu único livro intitulado “EU” foi publicado em 1912, e reúne suas poesias belas e afiadas, frutos de uma mente cética em relação à vida e ao amor. O poeta Augusto dos Anjos é representante de uma época em que a poesia brasileira se encontrava num estágio de transição, antes de despontarem os modernistas, filhos da semana de arte de 1922. Seus versos se caracterizam pela originalidade temática, cercada de um pessimismo irônico, e pelo vocabulário repleto de termos científicos e biológicos, sem deixar de lado as metáforas e demais figuras de linguagem que conferem à poesia a sua beleza e subjetividade.

CRÉDITO: Egberto Gismonti, Água e Vinho.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sexta-feira 31/10/08



*Áudio: (em breve)

“Dizem os bardos que uma cidade
é feita
de homens,
com várias mãos
e
o sentimento do mundo.
Assim Recife nasceu no cais
de um azul marinho e celestial,
onde suas artérias evocam:
Aurora, Saudade, Concórdia,
Soledade,
União, Prazeres, Alegria e Glória.
Mas nos deixa no chão,
atolados na lama
de sua indiferença aluviônica:
a ver navios com suas hordas
invasoras
e o Atlântico
como possibilidade
de saída...”



Pois é, Poesia de Valmir Jordão, intitulada “Ah Recife!”. Valmir Silva Jordão nasceu no Recife no ano de 1961. Oriundo do Bairro de São José, inicia sua vida poética aos 19 anos de idade. É poeta boêmio, que faz poesia politizada e consciente. Filiado a União Brasileira dos Escritores, a UBE, desde os anos 80, colaborou com diversos fanzines da época, e possui mais de 10 publicações. É autor de versos famosos, quase ditos populares como no poema “coca para os ricos/ cola para os pobres/ coca-cola é isso aí”. Valmir Jordão faz parte da geração dos poetas urbanos, radicais, que acreditam que a poesia permeia toda a existência, a vida, a morte, o bem e o mal. Logo mais, às sete horas da noite, Valmir Jordão lança seu novo livro: ”Hai Kaindo na Real & Outros Poemas”, no auditório do SINTEL, na Boa Vista, próximo a UNICAP. A coletânea mescla poesias de estilo livre usual, e hai kais: poemas-pílula, de origem japonesa que costumam dizer muito em poucos versos.

quer mais?
toma: